A
VIDA DE DON LUIGGI GUANELLA
Ilustrada pelas crianças do Recanto Nossa Senhora de Lourdes.
Em
uma família pobre e trabalhadora...
Luís Guanella foi o nono dos treze filhos de Lourenzo e Maria
Bianchi. Nasceu no dia 19 de dezembro de 1842, em Fraciscio, a 1350
metros de altitude, ao norte da Itália. A família levava
uma vida simples, a terra era utilizada para a pastagem e o pequeno
Luís cuidava das ovelhas da família e transportava lã
e outros derivados já muito antes de iniciar a escola. Os montanheses
eram muito trabalhadores e não utilizavam animais para ajudar
no trabalho, os cavalos eram quase desconhecidos. De sua família
Luís aprendeu muitas lições que logo utilizaria
em seu apostolado. Preferiu usar as suas mãos para fazer coisas
do que depender do dinheiro para comprá-las prontas.
Aprendeu a lidar com a agricultura e o seu valor. E mais que todas
as coisas aprendeu que um espírito sadio de amor e sacrifício
pode fazer milagres. De fato, Don Guanella sempre iria recordar seu
pai comparando-o a montanha mais vigorosa do vale.
Levavam uma vida simples, em um amplo casarão alpino, que cheirava
a feno, naquela aldeota situada entre prados e bosques. Viviam ao
ritmo das estações: neve no inverno, quando se queimava
a lenha trabalhosamente estocada no tempo bom e quando todos se reuniam
ao redor do fogo, para rezar e ouvir antigas histórias; perfumes
de mil flores na primavera, quando os animais vibravam de alegria
sobre a relva nova; calmo esplendor do verão e a melancólica
brevidade no outono, quando tudo recomeçava novamente.
Boa
escola de caridade e bons alunos...
Luís e sua irmã Catarina gostavam de brincar de fazer
“comidinha” sopas de barro que imaginavam repartir com
os pobres. Esta brincadeira de criança eram presságios
de seu futuro trabalho. De fato, Catarina, quando adulta, por um tempo
ajudou Don Guanella em uma de suas Casas da Divina Providencia, onde
a sopa era grátis para os pobres, porém, agora, não
era de barro! A infância de Luís foi similar a de muitas
crianças de sua idade e situação social na Itália
da época.
Aprendeu a ler e também matemática com um parente sacerdote
e, logo iniciou seus estudos em uma escola primária no povoado
onde o mesmo sacerdote era pároco.
Seminarista na cidade de Como...
Aos 9 anos de idade Luís recebee a primeira Eucaristia e aos
12 anos quis ingressar no seminário, porém, com 13 filhos,
sete meninos e seis meninas, para sustentar, seu pai e sua mãe
temiam não poder custear seus estudos, mas, um parente pároco,
conseguiu um lugar gratuito e Luís soube aproveitar este gesto
de generosidade, suas notas foram sempre excelentes e completou seus
estudos secundários em 1859. A partir deste momento sua permanência
no seminário passou a cargo de sua família que o sustentou
ao preço de grandes sacrifícios.
Tu
és sacerdote de Cristo...
Luís Guanella foi ordenado sacerdote em 26 de maio de 1866.
Seu primeiro serviço sacerdotal foi ajudar na pastoral de um
pároco ancião. Sua dedicação para o bem
das almas e seu sentido de responsabilidade se fizeram muito fortes.
A
Escola de Don Bosco e de Cottolengo...
Na cidade de Turim pode observar mais de perto o grande trabalho de
caridade realizado pela obra de São José Bento Cottolengo,
santo piemontes do século passado, morto no ano em que nasceu
Don Guanella, que abriu em 1827 Pequena Casa da Divina Providência
para receber os “casos desesperados” do sofrimento humano.
E, também, o grande trabalho realizado por Don Bosco com o
qual em 1857, Don Guanella colaborou em várias tarefas que
lhe foram encomendadas, o encontro entre os dois santos é sempre
um mistério: o que cada um lê no coração
do outro, como ambos sentem a força da Graça de Deus
que neles atua. Sobre estas experiências ele escreveu: “O
Senhor quis que me encontrasse com Don Bosco e com a obra do Cottolengo.
Aos dois eu admirei e cresceu em mim mais forte o amor aos pobres,
por tudo o que aprendi com eles”. O espirito daqueles Santos
se tornou um grande exemplo para a vida sacerdotal de Don Luís
Guanella.
Sensibilidade e ação frente aos problemas sociais...
A visão da problemática humana em Don Guanella, foi
profética e chegou a prever os movimentos que hoje em dia são
objetos de nossa preocupação e atividade de católicos:
a ação social, a educação, os movimentos
jovens, o apostolado.
O censo italiano de 1861 colocou em evidência que 74% da população
era analfabeta. Don Guanella obteve com seus estudos um certificado
de magistério com o qual, além de dar aulas pode preparar
outros docentes.
Para Don Guanella a dignidade do ser humano foi sempre prioridade.
Particularmente, defendeu essa dignidade, também, à
favor daqueles que eram considerados socialmente inúteis. Freqüentemente
os idosos, os doentes os deficientes mentais e físicos eram
abandonados por seus próprios familiares ninguém se
preocupava com eles ou sabia como trata-los humanamente.
Perseguição
política...
Don Guanella viveu um período histórico em que a Itália
foi governada por forças políticas contrárias
a todas as religiões. Já desde de junho de 1886, se
havia ditado uma lei que suprimia todas as comunidades religiosas.
Por longos anos, a legislação italiana seguiu ditando
leis orientadas no mesmo sentido e entre elas uma que foi chamada
“lei dos suspeitos” na qual se negava até o sustento
necessário a quem fossem julgado como tal. Don Guanella, que
com sua palavra clara e fácil tanto na predica como nos escritos,
havia uma grande e boa popularidade entre as pessoas, foi visto pelos
políticos dominantes como uma ameaça e se aplicou a
dita lei.
Desde aquele momento, será sempre um “suspeito”,
apesar de não haver cometido nenhum delito e de todos serem
testemunhos de seu bom coração e sua boa conduta.
Abre
se o caminho...
Em 1881, em Pianello Lario, morria o piedoso sacerdote Carlos Coppini
deixando uma pequena casa de órfãos e idosos ao cuidado
de um grupo de jovens mulheres com inclinação a vida
religiosa. Como o bispo não havia a [possibilidade em assumir
a responsabilidade da Obra, lembrou –se de Don Guanella e o
mandou para lá.
Em cinco anos, com a cooperação da irmã Marcelina
Bosatta, a superiora, estabeleceu com firmeza a fundação,
convertendo-se assim no Fundador da congregação feminina
das Filhas de Santa Maria da Providência. dando-lhes como missão
específica o cuidado e a reabilitação possível
a estas pessoas a quem chamava carinhosamente de “bons filhos”.
Ele acreditava verdadeiramente que uma vida humana tem valor pelo
que é: “um presente de Deus; e não pelo que pode
produzir”.
Pensou que seria melhor transferir sua Casa principal para a cidade
de Como, onde poderia ser de grande ajuda para diocese inteira. Os
primeiros tempos foram difíceis as irmãs viviam as maiores
privações para que a obra continuasse.
Um
barco cruza o lago...
Na noite de 5 de abril de 1886, um pequeno barco se deslizou sobre
o tranqüilo lago de Pianello e viajou durante toda a noite até
Como. Duas irmãs e quatro órfãos foram seus passageiros
e precarios móveis. Este foi o nucleo inical da Casa da providencia.
Nunca antes em Como havia tanta miséria humana reunida. Vários
colaboradores se uniram. Don Guanella os preparou e com eles fundou
uma segunda congregação, a masculina, Servos da Caridade.
Uma pequena santa...
Um mês depois em outro barco embarcaram duas noviças,
três órfãs e a Irmã Clara Bosatta, esta,
de personalidade forte e decidida coordenava todo o trabalho com extraordinária
coragem, mas não podia suprir a tudo. As apreensões,
a fome, as dificuldades do novo ambiente provocaram enfraquecimento
que apressou a tragédia e no dia 20 de abril de 1887 ela morreu
aos 29 anos, deixando um caminho traçado a ser seguido.
Fogo
devastador...
Em pouco tempo a casa da Divina Providencia de Como se ampliou, porém,
em 1896, alguém incendiou a Casa da Providência . Don
Guanella, avisado da tragédia , acudiu imediatamente para reconfortar
a sua gente. Em suas palavras de alento, sugeriu a eles que rezassem
assim a Deus: “Senhor, com teus desígnios misteriosos
permitiste que nossa casa fosse incendiada; pois bem, permaneceremos
aqui contigo”. Nesta noite eles dormiram na igreja. No dia seguinte,
já planejou a reconstrução. “O Senhor sempre
deseja que todos sigam seu curso natural sobre a terra”.
Confiança na Divina Providência...
Don Guanella acreditava firmemente que a ajuda da Providência
não faltaria a quem vive na fidelidade, na suplica e também
no trabalho. Sem dúvidas inúmeras vezes o curso ordinário
das coisas dava lugar ao extraordinário. A Divina Providência,
nunca o abandonou. Incontáveis são as anedotas que falam
da harmonia que havia alcançado entre a confiança na
Providência e sua própria e incansável atividade.
Ele dizia :” Para receber nas duas mãos da Providência
tem que se dar com quatro mãos aos pobres” Porém,
se são demasiados os que chegam buscando um lugar na Casa,
onde os colocaremos? Perguntou um dia um sacerdote: “Só
os deixe entrar, disse Don Guanella, a Providencia cuidará”
como sempre a confiança do Bem aventurado resultou justificada
. Claro, que ele confiava mas, não agia às cegas, fazia
como o alfaiate – dizia ele – “primeiro tomo cem
vezes a medida, só epois é que corto o tecido”.
Colaboração
humana...
Don Guanella também estava convencido que não bastava
que seus sacerdotes e freiras confiassem na ajuda de Deus sem unir
seu próprio trabalho. Quando lhes perguntaram como conseguia
sustentar tantas obras, respondeu;” O servo da caridade deve
deitar–se cada noite tão cansado pelo trabalho, como
se tivesse apanhado”. Com este princípio firme, podia
olhar o futuro com toda segurança e deixar escrito para seus
religiosos; ”Tenham sempre presente, Servos da Caridade, que
nossa obra nasceu e cresceu com visível ajuda da Providência,
a qual nunca chegará a faltar com tanto que não se desvie
de seu espirito próprio”.
Do pântano a um lindo povoado...
No extremo superior do lago de Como, existia uma vasta zona pantanosa
e infectada de mosquitos. Don Guanella decidiu recuperá-la.
Pensaram que ele era louco e diziam que, finalmente havia encontrado
uma cova pantanosa para a sua obra. Ajudado pelo trabalho de operários,
dos seus ‘bons filhos”, fisicamente fortes e a perícia
diretiva e administrativa de especialistas, lentamente recuperar a
terra. Em poucos anos, esta área se tornou frutífera,
graças ao trabalho realizado. Os arredores começaram
a povoar-se de gente que ali construíram suas casa até
formar um lindo e novo povoado. O Bem-aventurado idealizou uma estátua
de Maria para seus fiéis trabalhadores e a chamou de Nossa
Senhora do Trabalho e em sua honra ergueu um lindo templo inaugurado
em 15 de maio 1904. Lá onde deveria ser a sua “tumba
pantanosa”. Por esta obra de recuperação de terreno
utilizado, recebeu uma Medalha de Honra das mãos do ministro
da Agricultura da Itália.
Um
amigo santo...
Don Guanella teve a honra de gozar da grande amizade com o então
sumo pontífice Santo Pio X. Sua familiaridade com este papa,
chegou a tal ponto que permitiu solicitar e obter ajudas importantes
para a realização de suas obras. Como a construção
da “Basiliquinha Al Trionfale” : a Pia União do
Trânsito de São José, que tem como objetivo dar
uma santa morte aos agonizantes.
Caridade
sempre aberta...
O que alguns consideravam uma obra boba de caridade, provocava também
incidentes engraçados entre eles. Certa ocasião, quando
uma de suas irmãs tentavam impedir que desse uma soma de dinheiro,
o Bem-aventurado, diretamente lançou o dinheiro pela janela
a um pobre homem que esperava fora em pé. Em outra oportunidade,
ao não ter dinheiro para doar se descalçou e doou seus
próprios sapatos novos.
Nas calamidades...
Nosso Bem-aventurado Luís Guanella também rezou muito
em favor das vitimas dos terremotos ocorridos na Itália em
1905 e 1915. Ele com 72 anos de idade prestou sua ajuda nos locais
mesmos onde eles ocorreram e abriu as portas de suas Casas a todos
os desamparados. Ao iniciar a primeira Guerra mundial, participou
ativamente das tarefas de assistência e por sua notável
atuação recebeu Medalha de Ouro outorgada pela camâra
dos deputados.
Um
desejo de ser missionário...
O desejo que havia tido em sua juventude de ser missionário,
reviveu em um dos aspectos de suas atividades apostólicas.
Com a criação de “Estações Católicas”,
impulsionou o retorno ao catolicismo em algumas regiões da
Suíça. Também promoveu a devoção
a Virgem de Lourdes, conduziu uma peregrinação italiana
ao Congresso Eucarístico de Londres e viajou aos Estados Unidos
em 1912, para inteirar-se da situação dos imigrantes
italianos. Logo enviou a suas irmãs e sacerdotes para dar assistência
e esses imigrantes, assim como também aos deficientes físicos
e mentais.
Descanso
glorioso...
Don Luís Guanella terminou sua carreira mortal na casa mãe
de Como no dia 24 de outubro de 1915, porém segue vivo na recordação
e nas obras de seus filhos espirituais os Servos da Caridade e as
Filhas de Santa Maria da Providência, como também na
devoção dos fiéis que o invocam Bem Aventurado
desde 25 de outubro de 1964, dia em que o Papa Paulo VI o elevou a
honra dos altares.
Don
Guanella, bom Samaritano...
Para ajudar aos “prediletos” da Providência –
os doentes sem cura, os abandonados, os idosos, os portadores de deficiências
mentais e físicos, as crianças órfãs e
os necessitados - Don Guanella viveu uma vida totalmente dedicada
a caridade. A partir da semente que foi o momento de graça
em sua infância, quando ouviu o chamado para ocupar-se dos pobres
e dos doentes. A obra de Don Guanella cresceu até converter-se
a uma árvore frondosa e saudável, sustentada por seus
seguidores, que ainda hoje oferecem proteção aos marginalizados
pela sociedade. Antes de morrer, em 1915, muitos duvidavam de que
sua obra tivesse continuidade. Ele respondia que sua obra era obra
de Deus, e que “aquele que criou o homem e iniciou as obras
seria capaz de continua-las” O Bem-aventurado Luís Guanella
criou, predicou e realizou sobre a base da premissa: “O coração
de um cristão que tem fé e sentimento não pode
passar de frente as dificuldades e privações dos pobres
, sem ajuda-los”
Sua vida inteira foi uma predica da mensagem do Evangelho: “Tudo
que fizeres a um desses irmãos, o fazes a mim.”
Oração...
Oh! Bem-aventurado Luís Guanella, apostolo da caridade, que
distribuiu os tesouros de teu coração neste mundo sedento
de paz e de amor; socorrendo aos pobres e deficientes, tão
preferidos por ti, alcança-nos da bondade Divina que possamos
conservar e aumentar em nós mesmos o amor a Deus e ao próximo.
Concedei me em modo particular, a graça que neste momento te
peço e a perseverança final.
Amém.