NOSSA COMUNIDADE EDUCATIVA

Nossa ação educativa se realiza dentro de uma comunidade que é a própria usuária e divulgadora desta mesma ação, sendo ao mesmo tempo sujeito operativo, fonte e veículo de mensagens educativas.

1º ) Identidade e Características

Tendo o modelo de família como base da nossa pedagogia, a nossa comunidade educativa procura ser um organismo vivo, cujos membros inspiram-se em um ideal educativo comum, unidos pela mesma tarefa de promover responsavelmente a pessoa. Pretende ser um grupo onde o trabalho feito em equipe de modo multidisciplinar e interdisciplinar e a troca de idéias e experiências entre seus membros sejam uma constante, fazendo com que todos caminhem juntos e se ajudem uns aos outros no crescimento como pessoa e como profissional.

2º ) Membros

A nossa comunidade educativa é formada por todos os que por várias razões estão envolvidos no Projeto Educativo-Rehabilitativo: a comunidade religiosa, os profissionais, os destinatários de nossos serviços, suas famílias e aqueles que cooperam de perto e de maneira contínua nas atividades do centro. Os componentes se ajudam e se encorajam mutuamente no cumprimento das tarefas e funções determinadas de acordo com sua competência; a meta é única e todos dividem a responsabilidade do projeto em sua totalidade, seja na elaboração ou na atuação. Procurando cumprir o programa estabelecido dentro de uma estrutura unitária e articulada, cada membro tem a autonomia que Ihe compete para o desenvolvimento da própria tarefa. A nossa comunidade educativa quer distinguir-se por uma atmosfera de cordial familiaridade e de serenidade, onde se vivencia a acolhida, a escuta, o respeito recíproco, a atenção constante a necessidade da pessoa, a confiança também frente às inevitáveis falhas. Para encontrarmos esse clima estimulamos o empenho de cada participante, conscientes de que o trabalho não é fácil , e que todos são chamados a dar sua contribuição no dia a dia.

3º ) Tarefas

A tarefa fundamental da nossa Comunidade Educativa é transmitir, seja os conhecimentos técnico-práticos sejam o valores humanos e cristãos necessários à estruturação de uma pessoa equilibrada, não limitando-se a apresentação do significado, mas fazendo com que cada um os faça próprios com liberdade e convicção os ame e os viva. Dado que se seguem mais os exemplos do que as palavras, esta tarefa se transforma em empenho de testemunhar na vida de cada dia o que se transmite com a palavra. A nossa Comunidade Educativa é chamada também à formular um projeto educativo, que determine os objetivos, os critérios, os instrumentos operativos, os roteiros pedagógicos reabilitativos, e as funções, partindo da análise e da avaliação da própria realidade institucional, do contexto sócio-cultural, das necessidades e das capacidades das crianças e adolescentes atendidos. Sobretudo ela tem o dever de acompanhar, juntos, a realização deste projeto em todas as suas diferentes fases, resolvendo os vários problemas, procurando os melhores recursos e estratégias. Segundo as exigências e com a ajuda de oportunas técnicas ela deve realizar uma séria programação e uma cuidadosa avaliação. Outra tarefa é procurar ajudar os seus membros para que possuam uma adequada competência humana, profissional, moral e institucional de forma que a ação educativa seja a mais qualificada possível. Do momento em que as situações envolvem-se continuamente e as ciências humanas progridem, a comunidade promove atividades específicas para a formação contínua de seus membros e favorece a participação nelas. “ Cada um, escreve Don Guanella, se aperfeiçoe em seu oficio; é preciso estudar e buscar o modo para renovar continuamente o próprio trabalho". O ambiente é uma realidade viva na qual pessoas, situações e coisas concorrem para formar a pessoa e, ao mesmo tempo, são por ela modeladas. A nossa Comunidade Educativa, portanto, procura também proporcionar um ambiente educativo que, por um lado favoreça o mais possível o crescimento das pessoas, e por outro, possua e desenvolva uma sua própria força formativa, favorecendo a interiorização de válidos modelos de vida. Para desenvolver esta tarefa ela procura tanto a busca de tudo o que cria e faz crescer um clima guanelliano quanto a prevenção de mentalidades e comportamentos negativos com cuidados e atenção permanentes. A nossa Comunidade Educativa procura, criar e fazer crescer a participação de seus membros tornando-a efetiva. Promove vários níveis de participação das pessoas, segundo a sua competência e seu papel, visando o bem estar moral, espiritual e econômico e a construção de um ambiente solidário. Procura estender a participação às forças sociais e religiosas, afim de desenvolver o sentido de solidariedade e incentivar as iniciativas para a elevação material e moral das pessoas em desvantagem social, em particular as portadoras de deficiência. A comunidade religiosa é a alma da nossa Comunidade Educativa, é ela que mantém viva as inspirações do carisma e o espírito guanelliano e a cultura da solidariedade na comunidade;guanelliano com o exemplo e a palavra e o difunde o carisma. Suas principais tarefas são:

a) procurar que a gestão educativa e administrativa seja programada e realizada no estilo guanelliano e segundo o Projeto Educativo local;

b) assumir a responsabilidade direta da formação moral e religiosa das crianças e dos profissionais;

c) cuidar em primeiro lugar da formação do pessoal em relação ao Projeto Educativo Guanelliano e encorajar a todos para serem portadores do amor de Deus e testemunhos da solidariedade social no atendimento às crianças e adolescentes com deficiência;

d) através do Conselho de Comunidade tomar oportunas decisões em relação as orientações e problemas educativos e administrativos gerais, na assunção e gestão do pessoal, dos serviços educativos e reabilitativos a serem realizados, da tipologia das crianças a serem atendidas. E também de aprovar o Regulamento Interno e os programas anuais preparados pela equipe;

e) ser a ligação entre o Conselho Geral e a equipe de direção transmitindo as orientações e decisões; Ajudando a equipe de direção a encontrar caminhos para a realização das mesmas, supervisiona a qualidade das atividades guanelliana, além, da pedagógica desenvolvidas devendo esta sempre presente.

4º ) Características da Relação Educativa

Pelos caminhos do coração

A intuição do Fundador, que a educação é especialmente obra do coração, é confirmada também pela experiência e pelas ciências humanas, segundo as quais a gente quer o que aprende a amar. No sistema guanelliano de vida e de educação, portanto, toda relação interpessoal, especialmente a educativa, nasce do coração e se desenvolve pelas vias do coração. Isto é, se funda e se desenvolve sobre as faculdades afetivas e volitivas mais do que sobre outras capacidades da pessoa. Nos cremos que, mesmo nos casos humanamente desesperados, o amor verdadeiro consegue encontrar o caminho para chegar ao ponto mais profundo da alma do outro e levar-lhe uma mensagem e um estimulo para o bem. Precisamente por isso, mas do que sobre a organização, sobre a eficiência técnica e sobre a metodologia, apostamos numa relação educativa fundada e animada por um amor iluminado pela inteligência.

Benevolência

A benevolência é para nos especialmente um aprofunda e intensa corrente de afeto, que inclina a querer com todas as forças o bem do outro. Tal atitude nos conduz a sentir e acolher o indivíduo em situação de deficiência antes de tudo como pessoa que se deve amar e da qual receber amor, antes ainda que alguém que se deve ajudar. Ao mesmo tempo, nos impele a olhar com coração generoso para as pessoas, avaliando com visão ampla suas necessidades e compreendendo seus limites com ânimo mais inclinado à misericórdia do que à justiça. Esta é a disposição interior que deve ser mais cultivada: com efeito, quem está necessitado, juntamente com o pedido de ajuda, procura um coração que ama. O Fundador nos lembra que, “quanto mais se sofre, mais se sente a necessidade de amor". Além disso, “é o afeto do coração, mais do que o estudo especulativo da mente, que faz individuar as necessidades”.

Compaixão evangélica

Compaixão é deixar-se tocar o coração à vista das necessidades do próximo, acolher no mais profundo de si seu grito de ajuda, particularmente quando, como no caso da pessoa com problemas de deficiência, vem da fraqueza de quem não tem voz, e partilhar o peso de seus sofrimentos como se fossem os próprios. Esta solidariedade interior, que faz“ deitar em nosso coração “ suas dificuldades, nos faz capazes de comunicar com ele e de entender seu estado de ânimo, suas necessidades e suas esperanças. Gera também a vontade de estar próximo, de aliviar sua dor e de assumir a co-responsabilidade de sua caminhada.

Solicitude

A solicitude é a atitude interior que nos faz correr em socorro do próximo na necessidade, sobretudo de quem, como muitas pessoas deficientes em nosso país, esta às margens da vida sem apoio humano. Ela nos impele a procurar, com espírito de criatividade, tudo o que pode favorecer o desenvolvimento pleno de cada um e a percorrer, com coragem, estradas novas de autêntica libertação e promoção global, mesmo se comportam riscos e sacrifícios. Conduz-nos, pois, a perceber com realismo as situações de particular urgência e as graves pobreza materiais e morais, contribuindo com prontidão, na medida de nossas energias, à realização das respostas oportunas. “ Um coração cristão que crê e que sente, não pode passar diante das exigências do pobre sem socorrê-las. Não se pode considerar que se terminou até quando existam pobres a socorrer e necessidades às quais prover ”.

Estima e respeito

Nas relações interpessoais a estima nos leva a considerar toda pessoa com deficiência como um indivíduo dotado de igual dignidade humana e com uma personalidade própria. Ela não nos faz olhar para seus limites, mas nos faz apreciar sua riqueza interior, sobretudo a do coração, e procurar os recursos morais e espirituais, que são sempre grandes nas pessoas acometidas pela dor e oprimidas pela necessidade. Com uma capacidade especial de penetração nos leva a ver a beleza, mesmo quando está escondida pela “ não beleza". A estima se traduz em profundo respeito pelo outro: pelo seu mundo interior, pela sua história e sua vivência, pelos seus projetos e suas exigências. Diante do mistério do sofrimento presente em quem nos é confiado, o respeito deve fazer-se de tal maneira grande, que não viole nunca sua dignidade pessoal e diminua o papel precioso que ele possui na sociedade como filho de Deus e membro da comunidade. Diante dos problemas e das graves dificuldades que encontram quotidianamente as pessoas com deficiência, o respeito deve traduzir-se em atitudes e gestos de sincera compreensão, de paciência “ ilimitada “ e de extrema delicadeza.

Confiança e otimismo

A confiança é um principio pedagógico de grande importância: gera confiança no outro e põe em movimento suas melhores energias. Ela nos leva a contar com as pessoas e com sua bondade e a valorizar seus recursos, ainda que mínimos. Manifesta-se em particular na concessão de uma razoável liberdade de ação, para que cada um possa exprimir o melhor de si. Não se desanima diante do erro, mas conforta e encoraja para prosseguir no caminho com serenidade e esperança, contando com a ajuda de Deus e dos outros e com as próprias capacidades. Junto com a confiança, nos acompanha um grande sentido de otimismo. Este não nasce do sentimentalismo ou de raciocínios de oportunidade, mas da convicção de que o bem é mais forte do que o mal, de que a graça de Deus age de modo eficaz nos corações e de que as capacidades presentes em uma pessoa são infinitamente superiores a seus limites. Por isso nós cremos que, não obstante a dramaticidade de certas situações, a ação educativa produz frutos em prol do bem. Esta visão otimista nos estimula a vencer os medos e a dar vida a planos educativos corajosos, capazes de despertar os recursos escondidos das pessoas e de sustentar suas esperanças. Confiança e otimismo nos induzem a contar com os esforços das pessoas, a esperar pacientemente seus frutos e a apreciar sempre os resultados alcançados, mesmo quando podem parecer pouco significativos.

Confidência e diálogo

Em nosso sistema de vida e de educação, as relações interpessoais e de grupo devem ser fortemente marcadas pela nota da confidência. “Os superiores, dizia Don Guanella, no ato de dirigirem os próprios dependentes, favoreçam com simplicidade o amor confidencial. Os dependentes se deixem guiar para eles pelo espírito de amor e de confidência antes que por aquele do temor ”. A confidência se exprime no abrir-se uns aos outros com sinceridade, sem medo ou sujeição, e em ajudar-se e encorajar-se mutuamente com o conselho e a correção fraterna. Ela leva a instaurar um diálogo franco e espontâneo, procurado não só em momentos específicos, mas também nas várias ocasiões oferecidas pela vida quotidiana. Para alimentar tal diálogo, nos comprometemos a evitar tudo o que danifica a estima das pessoas, a fazer circular as informações e a trocar idéias e experiências, buscando juntos o melhor para si e para os outros.

Simplicidade e alegria, suavidade e força

A simplicidade, procedimento natural e espontâneo com o próximo, não é superficialidade nem artificialidade de comportamento, mas expressão verdadeira dos próprios pensamentos e sentimentos, facilmente compreensível mesmo para quem tem notável dificuldade de comunicação. A alegria, que reflete exteriormente o prazer do encontro com o outro, não é um comportamento superficial, mas manifestação sincera de um trato jovial e acolhedor. A suavidade evita um tratamento brusco e complicado, usando, ao invés, maneiras cordiais feitas de cortesias e atenções. “A doçura, porém, segundo Don Guanella, seja séria e não permita que cada um se comporte conforme seu interesse. Na educação, é preciso estar atento a um sentido de falsa compaixão, que produz caracteres fracos e sem energias. Acrescente-se à suavidade também a força: com paciência e energia, se estimule quem se inclina às tentações da preguiça e de comodidade”.

 
 

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